Enfermagem

Inteligência Artificial no Diagnóstico de Asma e DPOC: Uma Revisão do Estado Atual e Potencial Futuro

Úrsula Teles 29 de março de 2026 4 min de leitura

Neste artigo

Uma revisão narrativa publicada no Journal of Clinical Medicine em março de 2026 explora o avanço acelerado da inteligência artificial no manejo de doenças respiratórias crônicas, com foco especial em asma e doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) — duas condições que representam importante carga global de morbidade e mortalidade.

A Importância das Doenças Respiratórias Crônicas

A asma e a DPOC figuram entre as principais causas de morbidade e mortalidade em todo o mundo, impondo uma carga substancial aos sistemas de saúde. Ambas são caracterizadas por obstrução das vias aéreas e inflamação crônica, exigindo diagnóstico preciso, monitoramento contínuo e tratamento personalizado.

Nesse contexto, a inteligência artificial — especialmente através de técnicas de machine learning e deep learning — emerge como ferramenta promissora para apoiar os profissionais de saúde na tomada de decisões clínicas.

Metodologia da Revisão

A revisão conduzida por Federica Marrelli e colaboradores utilizou uma abordagem narrativa, pesquisando bases de dados como ScienceDirect, PubMed e Google Scholar para identificar estudos em inglês sobre aplicações de IA em asma e DPOC.

Visualização de algoritmos de machine learning analisando dados respiratórios de pacientes
Algoritmos de machine learning e deep learning processam múltiplas fontes de dados para apoiar o diagnóstico pulmonar

Aplicações Atuais da IA em Doenças Respiratórias

A literatura revisada sugere que abordagens baseadas em IA estão sendo aplicadas em todo o espectro asma-DPOC para:

1. Diagnóstico e Fenotipagem

Algoritmos de IA conseguem integrar dados clínicos, de imagem e laboratoriais para identificar subtipos específicos de doenças respiratórias, permitindo classificações mais precisas que as abordagens tradicionais.

2. Estratificação de Risco

Modelos preditivos avaliam a probabilidade de exacerbações, hospitalizações e outros desfechos clinicamente relevantes, permitindo intervenções preventivas direcionadas.

3. Predição de Desfechos

A IA pode antecipar a resposta a tratamentos específicos, apoiando a seleção de terapias mais adequadas para cada paciente.

4. Monitoramento Contínuo

Utilizando fontes heterogêneas de dados — incluindo registros clínicos, imagens diagnósticas e dados de saúde digital — sistemas de IA permitem acompanhamento mais abrangente dos pacientes.

Implicações para a Prática de Enfermagem

Para os profissionais de enfermagem que atuam com pacientes respiratórios crônicos, essas tecnologias oferecem potencial para:

  • Detecção precoce de exacerbações: através de monitoramento remoto e análise de padrões
  • Educação personalizada: baseada no perfil individual de risco e características da doença
  • Otimização do acompanhamento: priorizando pacientes com maior necessidade de intervenção
  • Apoio à adesão terapêutica: identificando pacientes em risco de abandono do tratamento

Desafios para Implementação

Apesar do potencial promissor, os autores destacam que a implementação segura dessas ferramentas na prática clínica requer:

  • Validação robusta: em populações diversas e contextos clínicos variados
  • Transparência: nos algoritmos e processos de decisão
  • Governança adequada: para garantir uso ético e proteção de dados
  • Confiabilidade demonstrada: para construir confiança entre profissionais e pacientes

O Papel dos Dados na IA em Saúde

Um ponto crucial destacado na revisão é a necessidade de conjuntos de dados grandes e bem estruturados para o desenvolvimento de ferramentas de IA efetivas. Isso representa tanto um desafio — considerando questões de privacidade e padronização — quanto uma oportunidade para sistemas de saúde que investem em infraestrutura digital.

A integração de múltiplas fontes de dados, incluindo prontuários eletrônicos, dispositivos vestíveis, imagens diagnósticas e dados relatados pelo paciente, pode potencializar significativamente as capacidades dessas ferramentas.

Perspectivas Futuras

Os autores concluem que ferramentas baseadas em IA estão preparadas para apoiar os clínicos no manejo de asma e DPOC em múltiplas frentes. No entanto, sua implementação segura na prática rotineira exigirá validação rigorosa, transparência nos algoritmos e governança adequada para garantir confiabilidade e segurança do paciente.

Para os profissionais de enfermagem, manter-se atualizado sobre essas tecnologias será cada vez mais importante à medida que elas se integram aos fluxos de trabalho clínicos, sempre mantendo o foco no cuidado centrado no paciente e no julgamento clínico fundamentado.

Referência: Marrelli F, et al. Artificial Intelligence in Asthma and COPD: Current Status and Future Potential. J Clin Med. 2026 Mar 23;15(6):2445. doi: 10.3390/jcm15062445. PMID: 41899367

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Escrito por

Úrsula Teles

Acadêmica de Enfermagem pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Atua em projetos de ensino, pesquisa e extensão relacionados à inovação em saúde e tecnologias digitais aplicadas à enfermagem. Possui interesse em saúde digital e inteligência artificial, com foco na aplicação dessas tecnologias no cuidado em enfermagem na área de urgência e emergência.

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