Inteligência Artificial

ASU Health: Enfermeiro de IA Agente Acompanhará Enfermeiros na Prática Clínica

Úrsula Teles 29 de março de 2026 4 min de leitura

Neste artigo

A Arizona State University (ASU) está desenvolvendo um projeto inovador onde um enfermeiro de inteligência artificial agente acompanhará enfermeiros físicos em suas atividades clínicas. A iniciativa faz parte da nova estrutura do ASU Health, que busca transformar a forma como os profissionais de saúde são formados e como a tecnologia pode tornar o cuidado mais proativo.

Uma Nova Abordagem para a Saúde

Em entrevista ao ASU News, Jyoti Pathak, diretor fundador da School of Technology for Public Health, explicou a visão por trás dessa transformação. Segundo ele, o sistema de saúde tradicional opera de forma reativa — aguardando que pacientes adoeçam para então intervir. A proposta do ASU Health é inverter essa lógica.

“A pergunta é: como podemos tornar o sistema geral mais proativo em vez de reativo? É aí que vejo um papel potencial para a IA. Podemos identificar indivíduos em risco de desenvolver diabetes para que não seja necessário medicá-los, pensando mais em intervenções comportamentais, dieta, exercício e nutrição.”

Jyoti Pathak, Diretor da School of Technology for Public Health

O Projeto do Enfermeiro IA Agente

O Edson College of Nursing and Health Innovation está desenvolvendo um projeto onde um enfermeiro de IA agente acompanhará enfermeiros físicos, auxiliando tanto o profissional quanto o paciente em suas atividades. Essa tecnologia representa um novo paradigma no cuidado de enfermagem, onde a inteligência artificial atua como parceira do profissional humano.

A iniciativa se insere em um contexto mais amplo de transformação digital na saúde. O ASU Health foi estruturado com quatro unidades acadêmicas:

  • John Shufeldt School of Medicine and Medical Engineering
  • School of Technology for Public Health
  • Edson College of Nursing and Health Innovation
  • College of Health Solutions

Monitoramento Remoto e Soluções Digitais

Pathak descreveu como a IA pode revolucionar o monitoramento de pacientes através de soluções digitais passivas. Pacientes pré-diabéticos, por exemplo, poderiam usar um pequeno adesivo que monitora continuamente os níveis de glicose. No momento em que detectar qualquer alteração, o sistema poderia alertar o paciente ou o profissional de saúde.

Outra aplicação mencionada envolve o monitoramento de saúde mental. Smartphones poderiam atuar como proxies, identificando mudanças comportamentais — como redução de atividade física ou isolamento social — que podem indicar pensamentos suicidas ou depressão.

Reduzindo a Carga Administrativa

Um dos aspectos mais promissores da IA na saúde é a automatização de tarefas administrativas. Pathak citou o exemplo de oncologistas que precisam obter pré-aprovação de seguradoras antes de administrar quimioterapia — um processo que hoje envolve muita burocracia com faxes e e-mails.

A esperança é que sistemas de IA possam assumir parte dessa carga administrativa, permitindo que médicos e enfermeiros dediquem mais tempo ao contato direto com pacientes. Como disse Pathak: “a esperança é que, se esses sistemas de IA puderem tirar parte da carga administrativa, os médicos possam olhar nos seus olhos em vez de olhar para um computador.”

O Futuro da Formação em Saúde

As suítes médicas do futuro, que serão instaladas no térreo da sede do ASU Health no centro de Phoenix, terão a IA profundamente integrada. O objetivo é treinar estudantes para se tornarem mais hábeis no uso de tecnologia de IA durante o diagnóstico e atendimento de pacientes.

A FDA já aprovou produtos de IA para detecção precoce de mais de 14 condições diferentes, incluindo doenças hepáticas e cirrose. O ASU Health pretende colaborar com a indústria no co-design e validação dessas soluções.

Implicações para a Enfermagem Brasileira

Embora o projeto seja desenvolvido nos Estados Unidos, as implicações para a enfermagem global são significativas. A ideia de um enfermeiro IA agente que auxilia profissionais humanos pode representar o futuro da profissão em todo o mundo, incluindo o Brasil.

À medida que essas tecnologias amadurecem e se tornam mais acessíveis, é fundamental que profissionais de enfermagem brasileiros acompanhem essas tendências e se preparem para incorporar ferramentas de IA em sua prática clínica — sempre mantendo o cuidado humanizado como prioridade central.

Fonte: ASU News (20 de março de 2026)

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Escrito por

Úrsula Teles

Acadêmica de Enfermagem pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Atua em projetos de ensino, pesquisa e extensão relacionados à inovação em saúde e tecnologias digitais aplicadas à enfermagem. Possui interesse em saúde digital e inteligência artificial, com foco na aplicação dessas tecnologias no cuidado em enfermagem na área de urgência e emergência.

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