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A Arizona State University (ASU) está desenvolvendo um projeto inovador onde um enfermeiro de inteligência artificial agente acompanhará enfermeiros físicos em suas atividades clínicas. A iniciativa faz parte da nova estrutura do ASU Health, que busca transformar a forma como os profissionais de saúde são formados e como a tecnologia pode tornar o cuidado mais proativo.
Uma Nova Abordagem para a Saúde
Em entrevista ao ASU News, Jyoti Pathak, diretor fundador da School of Technology for Public Health, explicou a visão por trás dessa transformação. Segundo ele, o sistema de saúde tradicional opera de forma reativa — aguardando que pacientes adoeçam para então intervir. A proposta do ASU Health é inverter essa lógica.
“A pergunta é: como podemos tornar o sistema geral mais proativo em vez de reativo? É aí que vejo um papel potencial para a IA. Podemos identificar indivíduos em risco de desenvolver diabetes para que não seja necessário medicá-los, pensando mais em intervenções comportamentais, dieta, exercício e nutrição.”
Jyoti Pathak, Diretor da School of Technology for Public Health
O Projeto do Enfermeiro IA Agente
O Edson College of Nursing and Health Innovation está desenvolvendo um projeto onde um enfermeiro de IA agente acompanhará enfermeiros físicos, auxiliando tanto o profissional quanto o paciente em suas atividades. Essa tecnologia representa um novo paradigma no cuidado de enfermagem, onde a inteligência artificial atua como parceira do profissional humano.
A iniciativa se insere em um contexto mais amplo de transformação digital na saúde. O ASU Health foi estruturado com quatro unidades acadêmicas:
- John Shufeldt School of Medicine and Medical Engineering
- School of Technology for Public Health
- Edson College of Nursing and Health Innovation
- College of Health Solutions
Monitoramento Remoto e Soluções Digitais
Pathak descreveu como a IA pode revolucionar o monitoramento de pacientes através de soluções digitais passivas. Pacientes pré-diabéticos, por exemplo, poderiam usar um pequeno adesivo que monitora continuamente os níveis de glicose. No momento em que detectar qualquer alteração, o sistema poderia alertar o paciente ou o profissional de saúde.
Outra aplicação mencionada envolve o monitoramento de saúde mental. Smartphones poderiam atuar como proxies, identificando mudanças comportamentais — como redução de atividade física ou isolamento social — que podem indicar pensamentos suicidas ou depressão.
Reduzindo a Carga Administrativa
Um dos aspectos mais promissores da IA na saúde é a automatização de tarefas administrativas. Pathak citou o exemplo de oncologistas que precisam obter pré-aprovação de seguradoras antes de administrar quimioterapia — um processo que hoje envolve muita burocracia com faxes e e-mails.
A esperança é que sistemas de IA possam assumir parte dessa carga administrativa, permitindo que médicos e enfermeiros dediquem mais tempo ao contato direto com pacientes. Como disse Pathak: “a esperança é que, se esses sistemas de IA puderem tirar parte da carga administrativa, os médicos possam olhar nos seus olhos em vez de olhar para um computador.”
O Futuro da Formação em Saúde
As suítes médicas do futuro, que serão instaladas no térreo da sede do ASU Health no centro de Phoenix, terão a IA profundamente integrada. O objetivo é treinar estudantes para se tornarem mais hábeis no uso de tecnologia de IA durante o diagnóstico e atendimento de pacientes.
A FDA já aprovou produtos de IA para detecção precoce de mais de 14 condições diferentes, incluindo doenças hepáticas e cirrose. O ASU Health pretende colaborar com a indústria no co-design e validação dessas soluções.
Implicações para a Enfermagem Brasileira
Embora o projeto seja desenvolvido nos Estados Unidos, as implicações para a enfermagem global são significativas. A ideia de um enfermeiro IA agente que auxilia profissionais humanos pode representar o futuro da profissão em todo o mundo, incluindo o Brasil.
À medida que essas tecnologias amadurecem e se tornam mais acessíveis, é fundamental que profissionais de enfermagem brasileiros acompanhem essas tendências e se preparem para incorporar ferramentas de IA em sua prática clínica — sempre mantendo o cuidado humanizado como prioridade central.
Fonte: ASU News (20 de março de 2026)