Inteligência Artificial

Profissionais de Saúde dos EUA Revelam Sentimentos Mistos Sobre IA Generativa

Júlio Sousa 29 de março de 2026 4 min de leitura

Neste artigo

Pesquisa com 130 profissionais de saúde norte-americanos revela que 87% consideram a IA generativa útil na prática clínica atual, mas apenas 42% receberam treinamento formal — evidenciando uma lacuna crítica entre entusiasmo e preparação.

A inteligência artificial generativa está rapidamente se infiltrando nos sistemas de saúde ao redor do mundo. Desde a assistência na documentação clínica até o suporte à tomada de decisões, ferramentas como o ChatGPT e sistemas similares prometem revolucionar a prática médica. No entanto, uma nova pesquisa publicada na revista Healthcare revela que os profissionais de saúde americanos ainda têm sentimentos ambivalentes sobre essa tecnologia.

Principais Achados da Pesquisa

O estudo, liderado por Obinna O. Oleribe e colaboradores, aplicou um questionário aprovado por comitê de ética a profissionais de saúde em todo os Estados Unidos. De 130 respondentes, 109 completaram a pesquisa principal (taxa de conclusão de 83,8%).

O perfil dos participantes incluiu 38,5% de médicos, 16,5% de enfermeiros, 12,8% de profissionais aliados e 32,2% de outros profissionais de saúde. A maioria (54,2%) era do sexo feminino, e 64,8% tinham 50 anos ou mais.

“Clínicos americanos veem a GenAI como útil, mas relataram treinamento limitado e infraestrutura organizacional necessária para uso confiante, além de expressar preocupações sobre privacidade de dados e riscos éticos.”

— Oleribe et al., Healthcare, 2026

Os dados revelam um cenário de otimismo cauteloso:

  • 86,9% concordam que a GenAI é útil no cuidado atual ao paciente
  • 92,9% acreditam na utilidade futura da tecnologia
  • Apenas 42,4% receberam treinamento formal em GenAI
  • Somente 23,2% relataram que suas organizações começaram a adotar IA

Benefícios Percebidos e Barreiras

Quando questionados sobre os principais benefícios da IA generativa, os profissionais destacaram a melhoria na documentação e registro clínico (57%) e a redução de erros (49,4%). Esses achados são particularmente relevantes para a enfermagem, profissão que dedica parcela significativa do tempo às atividades de documentação.

Por outro lado, as principais barreiras identificadas foram o conhecimento limitado sobre IA (24,7%) e o medo de perda de emprego (16,9%). Essas preocupações refletem debates mais amplos sobre o impacto da automação nas profissões de saúde.

O Papel da Supervisão Humana

Apesar das preocupações, 72% dos participantes expressaram disposição para apoiar uma adoção mais ampla da GenAI. No entanto, eles enfatizaram a necessidade de salvaguardas específicas:

A supervisão humana foi apontada por 67,1% como essencial, enquanto 60,8% destacaram a importância do treinamento da equipe. Esses números indicam que os profissionais não querem ser substituídos pela IA, mas sim capacitados para utilizá-la de forma segura e eficaz.

Diferenças por Perfil Profissional

O estudo identificou diferenças estatisticamente significativas nas percepções conforme características demográficas. A utilidade percebida da IA variou significativamente por gênero, enquanto a adoção organizacional e as áreas de maior utilidade variaram conforme a qualificação profissional. O apoio à adoção também diferiu por faixa etária.

Essas variações sugerem que estratégias de implementação de IA devem considerar as diferentes perspectivas e necessidades dos diversos grupos profissionais.

Recomendações dos Pesquisadores

Os autores concluem com recomendações práticas: programas educacionais e estratégias de implementação transparentes e lideradas por profissionais podem acelerar a assimilação responsável da GenAI. Além disso, gestores de saúde devem usar os ganhos de eficiência para melhorar a relação profissional-paciente e o equilíbrio entre trabalho e vida pessoal, reduzindo taxas de burnout.

Reflexões para o Contexto Brasileiro

Os achados deste estudo americano oferecem lições valiosas para o Brasil, onde a adoção de IA generativa na saúde ainda está em estágios iniciais. A lacuna entre entusiasmo e preparação identificada nos EUA provavelmente é ainda mais pronunciada em nosso contexto.

Para que a enfermagem brasileira se beneficie da IA generativa, será fundamental investir em educação continuada, políticas institucionais claras e discussões éticas abertas sobre o uso dessas tecnologias na prática clínica.

Fonte: PubMed – PMID: 41897226 | Healthcare (Basel), março de 2026.

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Escrito por

Júlio Sousa

Diretor de tecnologia e especialista em inovação educacional, com atuação em inteligência artificial aplicada à educação e desenvolvimento de plataformas digitais de aprendizagem. Graduado em Sistemas de Informação e especialista em Gestão e Governança em TI pela UFG.

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