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IA já é usada em 18% dos estabelecimentos de saúde no Brasil, aponta TIC Saúde

Júlio Sousa 14 de maio de 2026 5 min de leitura

Neste artigo

A inteligência artificial (IA) já é usada em 18% dos estabelecimentos de saúde no Brasil, segundo dados da 12ª edição da pesquisa TIC Saúde, do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br). O levantamento aponta um cenário de avanço, com maior presença na rede privada do que na pública, e mostra que o uso atual ainda é majoritariamente operacional, voltado à organização de processos e à eficiência interna.

Os números se referem a 2025 e foram divulgados na terça-feira (12/05/2026). A pesquisa entrevistou 3.270 gestores de estabelecimentos de saúde em todo o país, sob coordenação do Cetic.br/NIC.br. Na rede privada, 25% das unidades relataram uso de IA; no setor público, 11%.

“Nos últimos anos, observamos uma rápida disseminação das tecnologias de Inteligência Artificial. Por isso, tornou-se importante ampliar a investigação para compreender como essas tecnologias vêm sendo incorporadas pelo conjunto dos estabelecimentos de saúde”, afirmou Alexandre Barbosa, gerente do Cetic.br.

Onde a IA está sendo aplicada hoje

Embora a IA seja frequentemente associada a diagnósticos e decisões clínicas, o retrato trazido pela TIC Saúde sugere que a adoção no Brasil começa, em muitos casos, pelo “bastidor” do cuidado. Entre os estabelecimentos que declararam usar IA, as aplicações mais citadas foram:

  • Organização de processos clínicos e administrativos (45%)
  • Segurança digital (36%)
  • Eficiência dos tratamentos (32%)
  • Logística (31%)
  • Gestão de recursos humanos e recrutamento (27%)
  • Apoio a diagnósticos (26%)
  • Apoio à dosagem de medicamentos (14%)

Para a enfermagem, essa distribuição importa por um motivo simples: grande parte do trabalho que sustenta a assistência acontece na coordenação do fluxo, na documentação, no manejo de riscos e na comunicação entre equipes. Quando a IA entra por essas portas, ela pode mexer diretamente no tempo disponível para o cuidado, na qualidade do registro e na segurança do paciente. Mas também pode introduzir novas camadas de complexidade, especialmente se as ferramentas não forem integradas a processos claros e a uma governança de dados consistente.

O que isso significa, na prática, para equipes de enfermagem

Na rotina hospitalar, soluções de IA usadas para organizar processos podem aparecer como sistemas que priorizam demandas, ajudam a classificar e encaminhar solicitações, apontam inconsistências em registros, ou identificam padrões de risco a partir de dados já coletados (por exemplo, sinais vitais, exames e evolução). Na área administrativa, podem apoiar o dimensionamento de pessoal, o planejamento de escalas e a distribuição de leitos, temas que impactam diretamente a carga de trabalho da enfermagem.

Na dimensão clínica, onde o debate costuma ser mais sensível, ferramentas de IA voltadas ao apoio diagnóstico ou à sugestão de condutas exigem ainda mais cuidado. Para serem úteis, precisam ser transparentes, auditáveis e bem contextualizadas. Na perspectiva da enfermagem, um ponto central é não confundir “recomendação algorítmica” com decisão: a responsabilidade profissional e a validação crítica permanecem indispensáveis, inclusive para detectar vieses, dados incompletos e situações que escapam aos padrões.

Barreiras: custo, prioridade institucional e capacitação

A pesquisa também evidencia que, apesar do avanço, há obstáculos importantes. Em hospitais com mais de 50 leitos, gestores apontaram custos elevados (63%), falta de priorização institucional (56%) e limitações relacionadas a dados e capacitação (51%) como barreiras para adoção da tecnologia.

Esse tripé ajuda a explicar por que a IA pode “aparecer” no discurso antes de se consolidar na prática: a implementação não se resume a comprar software. Envolve infraestrutura, integração com sistemas existentes, qualidade de dados, definição de indicadores e, principalmente, treinamento. Para a enfermagem, o risco é que a ferramenta chegue como imposição, sem tempo de aprendizagem e sem desenho de processo, gerando frustração e sobrecarga em vez de alívio.

Além disso, a ampliação do uso de IA tende a aumentar a pressão por diretrizes éticas e por proteção de dados. Estabelecimentos de saúde lidam com informações sensíveis, e qualquer automação que use dados clínicos precisa respeitar a LGPD, minimizar coleta desnecessária, e adotar medidas de segurança e rastreabilidade.

Digitalização em andamento, mas ainda desigual

O panorama de transformação digital captado pela TIC Saúde vai além da IA. Segundo o levantamento, 9% dos estabelecimentos utilizam internet das coisas (IoT) e 5% usam tecnologia robótica conectada à internet. Serviços online para pacientes também crescem: 39% oferecem visualização de resultados de exames, 34% permitem agendamento de consultas e 32% agendamento de exames.

Para o cotidiano da enfermagem, a consolidação desses serviços pode reduzir retrabalho e melhorar a continuidade do cuidado, mas também exige padronização de processos e interoperabilidade, para evitar que a equipe seja obrigada a “costurar” informações entre sistemas que não conversam.

Pontos-chave

  • A IA já está presente em 18% dos estabelecimentos de saúde, com maior adoção na rede privada.
  • O uso é predominantemente operacional (processos e segurança), não apenas clínico.
  • Custos, governança e capacitação ainda são barreiras importantes.

Fonte original (12/05/2026, Agência Brasil): Uso de IA na saúde chega a 18% dos estabelecimentos do país.

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Escrito por

Júlio Sousa

Diretor de tecnologia e especialista em inovação educacional, com atuação em inteligência artificial aplicada à educação e desenvolvimento de plataformas digitais de aprendizagem. Graduado em Sistemas de Informação e especialista em Gestão e Governança em TI pela UFG.

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