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Um estudo publicado em 22 de junho de 2026 no Journal of Nursing Care Quality sugere que modelos de inteligência artificial e aprendizado de máquina podem prever com mais precisão o risco de lesões por pressão adquiridas no hospital, um dos eventos adversos mais importantes para a segurança do paciente e para a prática de enfermagem. O trabalho, indexado no PubMed sob o título “Charting and Predicting Risk: Artificial Intelligence/Machine Learning Pilot Model for Hospital-Acquired Pressure Injuries”, comparou modelos de IA com métodos estatísticos tradicionais e encontrou desempenho superior das abordagens baseadas em árvores de decisão.
O tema chama atenção porque as lesões por pressão continuam sendo um problema frequente em hospitais de todo o mundo. Além de prolongarem internações, aumentarem custos e causarem sofrimento evitável, elas exigem vigilância constante da equipe assistencial. Na prática, a prevenção depende de avaliação clínica, mobilização do paciente, inspeção da pele, manejo da umidade, suporte nutricional e documentação consistente, atividades nas quais a enfermagem tem papel central.
Segundo os autores, os modelos de IA do estudo mostraram desempenho “notavelmente melhor” do que a regressão logística para identificar pacientes em risco de desenvolver lesões por pressão durante a internação.
De acordo com o resumo do artigo, o estudo foi conduzido como uma análise secundária de dados. Os pesquisadores montaram uma base de treinamento para avaliar, em caráter piloto, a capacidade preditiva de diferentes modelos. A comparação foi feita entre ferramentas de IA/machine learning e métodos analíticos mais tradicionais. Embora a regressão logística tenha apresentado ajuste considerado razoável e coeficientes interpretáveis, os modelos baseados em árvore se destacaram na capacidade de prever o desfecho.
Esse tipo de resultado é relevante porque a prevenção de lesão por pressão ainda depende muito da identificação precoce de risco. Em muitos serviços, a avaliação combina escalas validadas com julgamento clínico, mas nem sempre isso é suficiente para captar mudanças rápidas no estado do paciente. Ferramentas de IA integradas ao prontuário podem, no futuro, cruzar variáveis clínicas, padrões de evolução, tempo de permanência, mobilidade, comorbidades e outros sinais para gerar alertas mais sensíveis.
Os números citados no próprio resumo ajudam a dimensionar o problema. Os autores lembram que as lesões por pressão adquiridas no hospital afetam cerca de 2,5 milhões de pacientes por ano e podem custar de US$ 20,9 mil a US$ 151,7 mil por ocorrência. Em outras palavras, não se trata apenas de um indicador administrativo: é um desfecho que impacta diretamente qualidade assistencial, carga de trabalho e segurança.
- O que a pesquisa indica: IA pode elevar a precisão na identificação de pacientes sob maior risco.
- Por que isso importa: alertas mais confiáveis podem antecipar intervenções preventivas da enfermagem.
- Limite atual: o estudo é piloto e ainda não significa adoção imediata sem validação em cenários reais.
Para a enfermagem, o avanço é promissor, mas não elimina cautelas. Sistemas preditivos podem ajudar a priorizar pacientes, orientar rounds e reforçar protocolos, porém não substituem o exame físico nem a tomada de decisão profissional. Um algoritmo pode indicar aumento de risco, mas cabe à equipe interpretar o contexto, confirmar achados à beira leito e definir a melhor intervenção. Em ambientes de alta demanda, esse equilíbrio entre apoio tecnológico e julgamento clínico será decisivo.
No Brasil, soluções desse tipo ainda enfrentam desafios conhecidos, como interoperabilidade entre sistemas, qualidade do dado registrado e governança sobre uso ético da IA. Mesmo assim, o estudo reforça uma direção clara: a prevenção de eventos adversos tende a se tornar cada vez mais data-driven, com apoio de modelos capazes de enxergar padrões que passariam despercebidos em análises manuais.
Outro ponto importante é a formação profissional. Se ferramentas preditivas começarem a entrar na rotina hospitalar, enfermeiros e técnicos precisarão entender como esses sistemas funcionam, quais variáveis influenciam os alertas e quando desconfiar de falsos positivos ou falsos negativos. A alfabetização em IA, portanto, deixa de ser um tema distante e passa a integrar a agenda de segurança do paciente.
Por enquanto, a principal mensagem do estudo é objetiva: há espaço real para que a inteligência artificial melhore a prevenção de lesões por pressão, uma área historicamente sensível para a enfermagem. Se futuras pesquisas confirmarem esses resultados em ambientes clínicos amplos, hospitais poderão ganhar uma ferramenta valiosa para agir antes que o dano aconteça.
Fonte original: Polancich S, et al. Charting and Predicting Risk: Artificial Intelligence/Machine Learning Pilot Model for Hospital-Acquired Pressure Injuries. Journal of Nursing Care Quality, 22 jun. 2026. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/42319371/.